MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS NA NEUROSSÍFILIS E AVALIAÇÃO DOS ESQUEMAS DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE RELATOS DE CASO ENTRE 2000 E 2026.

Autores

  • Antonio Neres Norberg
  • Paulo Roberto Blanco Moreira Norberg
  • Fernanda Castro Manhães
  • Eliana Crispim Franca Luquetti
  • Bianca Magnelli Mangiavacch
  • Lígia Cordeiro Matos Faial
  • Fábio Machado de Oliveira
  • Fernanda Santos Curcio
  • Ademir Hilário de Souza
  • Ana Paula Borges de Souza
  • Renato Mataveli Ferreira Filho

Palavras-chave:

Neurossífilis, Manifestações neuropsiquiátricas, Tratamento, Protocolo farmacológico.

Resumo

A neurossífilis, manifestação neurológica da infecção por Treponema pallidum, tem apre-
sentado reemergência epidemiológica preocupante nas últimas décadas. A literatura atual dessa forma
clínica baseia-se predominantemente em relatos de caso, limitando a geração de evidências robustas
sobre protocolos terapêuticos específicos. O objetido dessa pesquisa é avaliar os esquemas terapêu-
ticos empregados no manejo das manifestações neuropsiquiátricas da neurossífilis, com ênfase nos
protocolos antibióticos, medicações adjuvantes e seus desfechos clínicos. Realizou-se revisão siste-
mática conforme diretrizes PRISMA 2020, analisando relatos de caso publicados entre 2000 e janeiro de 2026 nas bases PubMed, Embase, Scopus e Google Scholar. Foram incluídos 58 casos individuais
com diagnóstico confirmado por critérios liquóricos e manifestações neuropsiquiátricas documentadas.
Observou-se predomínio de comprometimento cognitivo progressivo em 32 casos (55%), caracterizado
por desorientação, déficits de memória episódica e alterações comportamentais frontais. Sintomas
psicóticos agudos ocorreram em 28 relatos (48%), com delírios de grandeza ou persecutórios em 23
casos (82% das apresentações psicóticas) e alucinações auditivas em 12 (43%). Episódios de mania
psicótica com cognição preservada foram documentados em sete casos (12%). O tratamento antibi-
ótico de primeira linha consistiu predominantemente em penicilina G cristalina intravenosa (18–24 mi-
lhões de unidades internacionais/dia por 10–14 dias), com resposta clínica significativa já nas primeiras
72 horas. A associação com antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, quetiapina) demonstrou
superioridade no controle de sintomas psicóticos agudos quando combinada à antibioticoterapia ade-
quada. Contudo, verificou-se dissociação marcante entre resposta sorológica (declínio de VDRL/RPR)
e recuperação funcional cognitiva, com apenas 42% dos casos de formas parenquimatosas apresen-
tando reversibilidade completa dos déficits, especialmente quando o diagnóstico foi estabelecido após
18 meses de evolução sintomática. O diagnóstico precoce constitui fator prognóstico determinante
para recuperação funcional. A penicilina G cristalina intravenosa permanece padrão-ouro terapêutico,
enquanto a abordagem combinada antibiótico-psicofarmacológica mostra eficácia superior no manejo
sintomático agudo. Entretanto, formas parenquimatosas tardias frequentemente evoluem com sequelas
cognitivas irreversíveis, mesmo após erradicação bacteriana adequada, reforçando a necessidade de
triagem sorológica sistemática em apresentações neuropsiquiátricas atípicas ou refratárias.

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Publicado

2026-03-25

Como Citar

Neres Norberg, A., Roberto Blanco Moreira Norberg, P. ., Castro Manhães, F. ., Crispim Franca Luquetti, E. ., Magnelli Mangiavacch, B. ., Cordeiro Matos Faial, L. ., Machado de Oliveira, F. ., Santos Curcio, F. ., Hilário de Souza, A. ., Paula Borges de Souza, A. ., & Mataveli Ferreira Filho, R. . (2026). MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS NA NEUROSSÍFILIS E AVALIAÇÃO DOS ESQUEMAS DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE RELATOS DE CASO ENTRE 2000 E 2026. InterSciencePlace, 21, 37. Recuperado de https://www.interscienceplace.org/index.php/isp/article/view/1031

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