MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS NA NEUROSSÍFILIS E AVALIAÇÃO DOS ESQUEMAS DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE RELATOS DE CASO ENTRE 2000 E 2026.
Keywords:
Neurossífilis, Manifestações neuropsiquiátricas, Tratamento, Protocolo farmacológico.Abstract
A neurossífilis, manifestação neurológica da infecção por Treponema pallidum, tem apre-
sentado reemergência epidemiológica preocupante nas últimas décadas. A literatura atual dessa forma
clínica baseia-se predominantemente em relatos de caso, limitando a geração de evidências robustas
sobre protocolos terapêuticos específicos. O objetido dessa pesquisa é avaliar os esquemas terapêu-
ticos empregados no manejo das manifestações neuropsiquiátricas da neurossífilis, com ênfase nos
protocolos antibióticos, medicações adjuvantes e seus desfechos clínicos. Realizou-se revisão siste-
mática conforme diretrizes PRISMA 2020, analisando relatos de caso publicados entre 2000 e janeiro de 2026 nas bases PubMed, Embase, Scopus e Google Scholar. Foram incluídos 58 casos individuais
com diagnóstico confirmado por critérios liquóricos e manifestações neuropsiquiátricas documentadas.
Observou-se predomínio de comprometimento cognitivo progressivo em 32 casos (55%), caracterizado
por desorientação, déficits de memória episódica e alterações comportamentais frontais. Sintomas
psicóticos agudos ocorreram em 28 relatos (48%), com delírios de grandeza ou persecutórios em 23
casos (82% das apresentações psicóticas) e alucinações auditivas em 12 (43%). Episódios de mania
psicótica com cognição preservada foram documentados em sete casos (12%). O tratamento antibi-
ótico de primeira linha consistiu predominantemente em penicilina G cristalina intravenosa (18–24 mi-
lhões de unidades internacionais/dia por 10–14 dias), com resposta clínica significativa já nas primeiras
72 horas. A associação com antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, quetiapina) demonstrou
superioridade no controle de sintomas psicóticos agudos quando combinada à antibioticoterapia ade-
quada. Contudo, verificou-se dissociação marcante entre resposta sorológica (declínio de VDRL/RPR)
e recuperação funcional cognitiva, com apenas 42% dos casos de formas parenquimatosas apresen-
tando reversibilidade completa dos déficits, especialmente quando o diagnóstico foi estabelecido após
18 meses de evolução sintomática. O diagnóstico precoce constitui fator prognóstico determinante
para recuperação funcional. A penicilina G cristalina intravenosa permanece padrão-ouro terapêutico,
enquanto a abordagem combinada antibiótico-psicofarmacológica mostra eficácia superior no manejo
sintomático agudo. Entretanto, formas parenquimatosas tardias frequentemente evoluem com sequelas
cognitivas irreversíveis, mesmo após erradicação bacteriana adequada, reforçando a necessidade de
triagem sorológica sistemática em apresentações neuropsiquiátricas atípicas ou refratárias.





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